É até engraçado concluir então que existe aquele bordado que não permite uma liberdade criativa, não é? Mas calma, não é bem assim!
A verdade é que todos os tipos de bordado são criativos, mas cada um tem suas próprias regras. É como comparar jazz com música clássica: um é mais improvisado, o outro segue uma partitura rígida - mas ambos são arte!
O termo “bordado livre” existe justamente para diferenciar estilos e técnicas. E entender essa diferença vai mudar completamente a forma como você vê (e faz) bordado.
Vamos às 3 grandes categorias:
A rigor, podemos classificar os tipos de bordado em 3 termos “guarda-chuva”:
1. Bordado Livre (Surface Embroidery)
2. Bordado Contado (Counted Work)
3. Needlepoint ou Tapeçaria em Tela (Canvas Work)
O bordado livre é aquele sem amarras!
O bordado livre (em inglês, surface embroidery) é exatamente o que o nome sugere: você está livre para bordar sem seguir uma grade ou trama do tecido. É o bordado mais espontâneo!
Pense naquele monograma colorida que você bordou na toalha, ou nos pontos decorativos na fronha do travesseiro. Ou ainda em um projeto mais elaborado, com pintura de agulha (needlepainting), aplicação de miçangas e diversos pontos decorativos combinados. Isso é bordado livre!
A grande diferença é que você não precisa contar fios do tecido nem seguir quadradinhos de uma tela. Você desenha (ou transfere) seu motivo no tecido e borda livremente por cima, usando os pontos que quiser: ponto cheio, ponto haste, nó francês, ponto corrente… as possibilidades são infinitas!

E o bordado contado? A precisão geométrica!
Já o bordado contado depende da trama do tecido. Você conta os fios para posicionar cada ponto de forma precisa. Exemplos clássicos são o ponto cruz, o blackwork e o Hardanger.
Aqui a “liberdade” está em escolher cores e desenhos, mas a execução segue a disciplina da trama do tecido. Geralmente usam um repertório mais limitado de pontos, mas criam desenhos geométricos lindos e precisos.

Carolyn Manning Designs
E o needlepoint? O bordado na tela estruturada!
O needlepoint (ou tapeçaria em tela) é trabalhado sobre canevas (também chamado de talagarça no Brasil) - uma tela rígida com trama aberta e furos bem definidos.
Tradicionalmente usa o ponto tenda (tent stitch), mas hoje em dia incorpora muitos outros pontos também. Ao contrário do bordado livre, no needlepoint você trabalha seguindo a grade da tela, preenchendo os furos de forma organizada.
Então, bordado livre é tudo que não se encaixa nas outras categorias?
Exatamente! Se não é contado e não é em tela/canevas, é bordado livre. Simples assim.
Isso inclui técnicas específicas como:
∙ Crewel work (bordado com lã)
∙ Goldwork (bordado com fios metálicos)
∙ Whitework (bordado branco sobre branco)
∙ Bordado brasileiro
∙ Bordado Lunéville
∙ Bordado com miçangas (beadwork)
Todas essas são subcategorias do bordado livre, cada uma com suas características próprias.
É por isso que o bordado livre é tão versátil e criativo: ele te dá liberdade total para criar onde, como e com os pontos que quiser!

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